Quanta contingência um projeto de construção precisa?
Este projeto de construção precisa de uma contingência de 259 sobre a estimativa-base de 2.620 (todos os valores em milhares de US$) para chegar a 80% de confiança. O número vem de uma simulação de Monte Carlo, não de um percentual fixo sobre a estimativa. A estimativa-base soma os custos mais prováveis, mas 94,2% dos 5.000 resultados simulados custam mais que isso.
O total fica em 2.879 ou menos em 80% dos resultados (P80) e em 2.937 ou menos em 90% (P90); a contingência é a diferença entre o nível escolhido e a estimativa-base. O orçamento da planilha, de 2.900, é ultrapassado em 16,1% dos resultados.
O modelo
A planilha é uma estimativa de custos comum: seis itens de custo com os custos mais prováveis e um registro de quatro eventos de risco que podem ou não acontecer. Uma segunda aba traz o cronograma. Só há fórmulas simples, como =SUM(C3:C8)+SUM(E11:E14), e nenhuma função de suplemento.
Na simulação, cada item de custo recebe uma faixa de três pontos (uma distribuição PERT, do mínimo ao máximo passando pelo mais provável), e cada evento de risco acontece com a probabilidade indicada e então soma o seu custo. As faixas são definidas no xellstorm, fora da planilha: o arquivo para baixar traz os custos mais prováveis e o registro de riscos, como uma estimativa comum.
| Item | Mín. | Mais provável | Máx. |
|---|---|---|---|
| Preparação do terreno | 100 | 120 | 170 |
| Fundação | 300 | 340 | 460 |
| Estrutura | 760 | 820 | 1.010 |
| MEP | 540 | 610 | 780 |
| Acabamentos | 400 | 450 | 560 |
| Equipamentos | 260 | 280 | 330 |
| Risco | Probabilidade | Custo se ocorrer |
|---|---|---|
| Condições do solo | 25% | 150 |
| Mudança de projeto | 35% | 90 |
| Atraso do fornecedor | 20% | 60 |
| Clima severo | 30% | 40 |
Por que a estimativa-base é otimista
A estimativa-base soma os custos mais prováveis: 2.620. Mas as faixas de custo são assimétricas à direita: um item pode custar muito mais que o mais provável, mas raramente custa muito menos. Os eventos de risco não custam nada na estimativa-base, mas custam algo em todo resultado em que acontecem. Juntos, levam o resultado médio a 2.785, 165 (6,3%) acima da estimativa-base, e 94,2% dos totais simulados ficam acima dela. A estimativa-base não é um resultado provável: está perto de um melhor caso.
Resultados
| Estimativa-base (soma dos custos mais prováveis) | 2.620 |
|---|---|
| Média dos totais simulados | 2.785 |
| P50 (metade dos resultados custa menos) | 2.776 |
| P80 | 2.879 |
| P90 | 2.937 |
| Média dos 5% piores (CVaR) | 3.035 |
| Chance de ultrapassar o orçamento de 2.900 | 16,1% |
| Chance de terminar depois da semana 60 | 27,2% |
Como definir a contingência
Contingência é o que você soma à estimativa-base para chegar à confiança desejada. Veja na curva S (probabilidade acumulada):
| Confiança | Orçamento | Contingência |
|---|---|---|
| P50 | 2.776 | 156 |
| P80 | 2.879 | 259 |
| P90 | 2.937 | 317 |
Muitas organizações orçam projetos de capital em P50, P80 ou P90; a escolha do nível é uma decisão de gestão sobre quanto risco de estouro aceitar. Um percentual fixo sobre a estimativa-base não revela a largura das faixas nem os riscos que o projeto carrega; a simulação mede os dois. P50, P80 e P90 explica os níveis e por que o P80 de um total não é a soma dos P80 das partes.
No xellstorm, passe o mouse sobre a curva S para ver a chance de ficar abaixo de qualquer custo, ou digite um orçamento na caixa de probabilidade para ver a chance de ultrapassá-lo.
O que determina o risco
A contribuição para a variância mostra quais entradas explicam a dispersão do custo total; o xellstorm a estima pelos postos das iterações, como no app. O risco “Condições do solo” vem primeiro, com 32,9%, e os quatro eventos de risco somam 55,7%, contra 14,9% do maior item de custo. O registro de riscos move o total mais que qualquer item de custo isolado; por isso, é no maior risco que vale olhar primeiro, por exemplo com uma sondagem do terreno antes de assinar o contrato. Gráficos de tornado e análise de sensibilidade explica essas medidas.
Cronograma: a chance de terminar com atraso
A mesma simulação cobre o cronograma. Terminar depois da semana 60 acontece em 27,2% dos resultados; o término em P80 fica na semana 60,7. As durações, como os custos, podem ser bem maiores que os valores mais prováveis, mas raramente muito menores, e o clima severo acrescenta um atraso quando ocorre. O MEP (instalações mecânicas, elétricas e hidráulicas) e os acabamentos também correm em paralelo, então cada resultado espera o que demorar mais. Tudo isso explica por que o cronograma atrasa mais vezes do que as durações mais prováveis sugerem; a análise de risco de cronograma mede cada causa.
Experimente
- Abra o modelo no xellstorm. Entradas, saídas e as duas metas já vêm definidas; não precisa instalar nada nem se cadastrar, e a planilha é calculada no navegador.
- Rode o modelo: com a mesma semente e o mesmo número de iterações, aparecem a média, o P50, o P80, o P90, as probabilidades e os direcionadores desta página; P50, P80 e P90 são linhas da tabela de percentis.
- Altere uma faixa ou a probabilidade de um risco na etapa Distributions e rode de novo para ver como o P90 e a chance de estourar o orçamento mudam.
- Depois, abra a sua própria estimativa e clique, no mapa do modelo, nas células de que você não tem certeza.
Dá para fazer só com o Excel?
Sim, com mais trabalho: troque cada estimativa por uma fórmula que sorteia um valor aleatório, repita o cálculo com uma tabela de dados e resuma os resultados. Simulação de Monte Carlo no Excel mostra as fórmulas e o que muda quando uma ferramenta roda a planilha para você.
Perguntas
Qual nível de confiança a contingência deve cobrir?
É uma decisão de gestão: aqui, o P50 pede 156, o P80 pede 259 e o P90, 317. P50, P80 e P90 explica o que cada nível significa e o que levar em conta na escolha.
Por que distribuições PERT?
Uma distribuição PERT usa os mesmos três números de uma triangular (mínimo, mais provável, máximo), mas dá mais peso à região próxima do valor mais provável e menos aos extremos, o que combina com estimativas de especialistas. O xellstorm também traz triangular, lognormal, Weibull e outras. Veja Distribuição PERT no Excel.
5.000 iterações bastam para um orçamento no P90?
Para este modelo, sim: um intervalo de 95%, que não depende da distribuição, mantém o P90 dentro de cerca de ±8, margem pequena perto dos 58 que separam o P80 do P90. P50, P80 e P90 mostra como esse intervalo é calculado; para outros modelos, veja quantas iterações usar.
Os eventos de risco devem ser correlacionados?
Se um risco torna outro mais provável, sim: dê ao par uma correlação ou faça uma única célula controlar os dois. Este exemplo os mantém independentes, para simplificar.
Veja também
- Guia
P50, P80 e P90: o que significam e em qual nível orçar
P80 é o custo que 80% dos resultados simulados não ultrapassam. Seis itens de custo de uma obra têm P80 que, somados, dão 2.843, mas o P80 da soma deles é 2.756 (milhares de US$). - Guia
Análise de risco de cronograma: por que os projetos atrasam
Um cronograma de obra com durações mais prováveis indica a semana 55, mas só 14,3% dos resultados simulados terminam até lá. Por que isso acontece e como definir uma data de término P80. - Registro de riscos
Quanta contingência um registro de riscos precisa?
Probabilidade × impacto mais provável soma 291; a perda média simulada é 359 e a média dos 5% piores é 1.436 (milhares de US$). Dimensione a contingência pelos piores resultados. - Guia
Distribuição PERT no Excel: fórmula, média e quando usar
Uma PERT é uma distribuição beta do mínimo ao máximo, com média (mín. + 4 × mais provável + máx.)/6. A fórmula BETA.INV do Excel e PERT x triangular.
O xellstorm é uma ferramenta de simulação de Monte Carlo para modelos do Excel, que roda no navegador: sem suplemento, e o arquivo nunca sai do seu computador.