xellstorm
PT
Abrir o app

Quanta contingência um registro de riscos precisa?

Exemplo prático · Registro de riscos · Atualizado em outubro de 2026

Neste registro de 10 riscos (valores em milhares de US$), probabilidade × impacto mais provável soma 291, mas uma simulação de Monte Carlo do registro inteiro põe a perda média em 359 e a média dos 5% piores resultados em 1.436; por isso, dimensione a contingência a partir deles. Até uma reserva do tamanho da perda média é estourada em 36,6% dos resultados.

Um resultado em cada vinte perde mais que 1.028 (P95), e os 5% piores perdem, em média, 4,0 vezes a média geral. Compare também os limites de seguro com esses números dos piores resultados, e não com a média.

O modelo

A planilha é um registro de riscos simples: 10 riscos, um por linha, cada um com a probabilidade de ocorrer (coluna B) e, se ocorrer, um impacto nas colunas C a E: Min, Likely e Max (mínimo, mais provável e máximo). Uma nota abaixo do registro informa a unidade: os valores estão em milhares de US$, como no exemplo de custo de projeto.

Ao lado das estimativas ficam duas células por risco, que a simulação preenche a cada iteração. Occurs (coluna F) vale 1 com a probabilidade do risco e 0 nos demais casos, uma distribuição de Bernoulli. Impact (coluna G) é sorteado de uma distribuição PERT entre Min e Max, com pico em Likely. Exposure (coluna H) multiplica as duas com =F2*G2, e a perda total em H13, =SUM(H2:H11), é a saída. A coluna I traz o cálculo usual, probabilidade × mais provável, com o total em I13. Não há funções de suplemento. No arquivo salvo, Occurs vale 0 e Impact é igual a Likely, e por isso o total em H13 mostra 0 no Excel até a simulação preencher essas células.

O registro (impactos em milhares de US$, PERT)
RiscoProbabilidadeMín.Mais provávelMáx.
Falha de fornecedor-chave10%200400900
Mudança regulatória20%50120300
Incidente cibernético5%3008002.500
Saída de pessoas-chave30%2060150
Alta de preço de materiais40%3080200
Estouro do projeto35%40100350
Variação cambial50%1040120
Litígio8%1002501.200
Parada da fábrica12%80200600
Queda da demanda25%60150500

As estimativas ficam no registro

A configuração da simulação que abre com o exemplo não copia esses números. Cada parâmetro aponta para uma célula do registro: a probabilidade do primeiro risco é =Register!B2, os valores Min, Likely e Max são =Register!C2, D2 e E2, e assim por diante, linha a linha. O xellstorm lê as células uma vez antes de cada rodada, com os mesmos resultados que se os números tivessem sido digitados. Na etapa Distributions, um campo vinculado mostra a referência, como =B2, e o valor lido.

O registro continua sendo o único lugar das estimativas. Para levar as alterações adiante, salve um arquivo de projeto na etapa Results (Save project), altere probabilidades ou impactos no Excel, abra a planilha editada no xellstorm e aplique o arquivo de projeto (Open project file, na etapa Workbook). O xellstorm avisa que a planilha difere daquela com que o projeto foi salvo, e a próxima rodada lê os novos valores.

Probabilidade × impacto mais provável subestima a perda esperada

A forma comum de totalizar um registro é o valor monetário esperado (EMV): a probabilidade de cada risco vezes o impacto, tudo somado. Com o impacto mais provável, como na coluna I, este registro dá 290,5. A perda média simulada é 358,8, 23,5% a mais.

A diferença vem da assimetria. O impacto mais provável é a moda, o pico da distribuição, e não a média: quando o máximo fica mais acima do mais provável do que o mínimo fica abaixo, a média é maior. Em uma distribuição PERT, a média é (mín. + 4 × mais provável + máx.) / 6. O custo mais provável do risco “Incidente cibernético” é 800, mas o impacto médio é (300 + 4 × 800 + 2.500) / 6 = 1.000, e por isso a perda esperada é 50, e não 40. Com os impactos médios, o EMV chega a 358,7, que a simulação reproduz (358,8).

Bem calculado, então, o EMV é a perda média. Mas uma média é um único número: não diz com que frequência as perdas são bem maiores, e cobrir esses resultados é justamente a função de uma reserva de contingência.

Resultados

Em 5,6% dos 10.000 resultados simulados nenhum risco ocorre; o valor exato, o produto de (1 − probabilidade) dos 10 riscos, é 5,7%. É por isso que a tabela de percentis do app mostra 0 para P1 e P5. Metade dos resultados perde menos que 267, abaixo da média de 359: a maioria dos resultados envolve alguns riscos pequenos ou médios, e poucos combinam riscos grandes e puxam a média para cima.

Perda total do registro, milhares de US$: 10.000 resultados simulados
Soma de probabilidade × impacto mais provável (coluna I)291
Média dos totais simulados359
Chance de nenhum risco ocorrer5,6%
P50 (metade dos resultados perde menos)267
P80541
P951.028
Média dos 5% piores (CVaR)1.436
Maior total simulado3.069
Chance de perder mais que 1.0005,5%
Distribuição da perda totalHistograma de 10.000 perdas totais simuladas. A barra em 0 inclui os 5,6% dos resultados sem perda; a média é 359; as barras acima de 1.000, 5,5% dos resultados, estão destacadas.01.0002.0003.000Média 359Acima de 1.000: 5,5%
Perda total, milhares de US$. Cada barra mostra quantos resultados simulados caíram nela; a barra em 0 inclui os 5,6% sem nenhuma perda. As barras acima de 1.000 estão destacadas: poucos resultados, bem espalhados à direita.
Probabilidade acumulada da perda total (curva S)Curva S da perda total: começa em 5,6% no zero; P50 267, P80 541, P95 1.028.0%50%100%01.0002.0003.000P50 267P80 541P95 1.028
Perda total, milhares de US$. A chance de perder no máximo um dado valor. A curva começa em 5,6%, os resultados sem perda, e achata devagar: os últimos 5% se estendem de 1.028 a 3.069.

Por que dimensionar a contingência pelos piores resultados

Qualquer reserva é estourada em alguns resultados. A questão é com que frequência e por quanto:

Níveis de reserva do registro, milhares de US$
Reserva definida emValorResultados que perdem mais
Probabilidade × mais provável (coluna I)29146,2%
Média (EMV com impactos médios)35936,6%
P8054120,0%
P9077210,0%
P951.0285,0%
Média dos 5% piores (CVaR)1.4362,0%

Uma reserva na média (o EMV com impactos médios) se esgota em 36,6% dos resultados, e uma no total da coluna I, em 46,2%. Qual percentil manter é uma decisão de gestão: com que frequência se aceita ficar sem reserva; P50, P80 e P90 explica os níveis. P95 é a perda superada em um resultado em cada vinte.

O CVaR, o valor condicional em risco, responde à pergunta seguinte: quando as perdas passam do P95, de que tamanho são? Aqui, os 5% piores resultados têm média de 1.436, ou seja, passam do P95 em 407, em média. É esse número que importa ao dimensionar uma reserva para anos ruins ou ao conferir um limite de seguro: um limite perto da média cobriria os resultados comuns e deixaria os grandes sem cobertura, e até uma reserva no CVaR é superada em 2,0% dos resultados.

Quais riscos compõem os piores resultados

As médias espalham a perda pelo registro: a parcela de cada risco na perda média fica entre 5,8% e 14,1%. Nos piores resultados é diferente. “Incidente cibernético”, o risco menos provável do registro (5%), ocorre em 70,4% dos 5% piores resultados e responde por 57,7% da perda deles, 829 dos 1.436, contra 14,1% da perda média. O segundo maior, “Falha de fornecedor-chave”, contribui com 155 (10,8%). Os piores resultados também são aqueles em que vários riscos coincidem: neles ocorrem 3,8 riscos em média, contra 2,35 em todos os resultados.

Perda de cada risco: na média e nos 5% piores resultadosPara cada risco, sua perda média em todos os resultados e sua perda média nos 5% piores resultados, em milhares de US$: Incidente cibernético 51 e 829; Falha de fornecedor-chave 45 e 155; Litígio 31 e 127; Queda da demanda 49 e 80; Estouro do projeto 46 e 58; outros 5 riscos 138 e 187. Somados, dão a média, 359, e o CVaR, 1.436.Média, todos os resultadosMédia, 5% pioresIncidente cibernético51 · 829Falha de fornecedor-chave45 · 155Litígio31 · 127Queda da demanda49 · 80Estouro do projeto46 · 58Outros 5 riscos138 · 187
Milhares de US$. Números: perda média nos 10.000 resultados · média nos 5% piores. Somados entre os riscos, dão a média (359) e o CVaR (1.436).
Perda média de cada risco em todos os resultados e nos 5% piores, milhares de US$, começando pela maior parcela dos 5% piores
RiscoTodos os resultados5% pioresParcela dos 5% piores
Incidente cibernético5182957,7%
Falha de fornecedor-chave4515510,8%
Litígio311278,8%
Queda da demanda49805,6%
Estouro do projeto46584,0%
Parada da fábrica29574,0%
Alta de preço de materiais37433,0%
Mudança regulatória28372,5%
Variação cambial24271,8%
Saída de pessoas-chave21251,7%
Todos os 10 riscos3591.436100%

Essa divisão é calculada a partir das iterações: a aba Trials da planilha de resultados traz as entradas e o total de cada iteração, e dá para reproduzi-la multiplicando Occurs por Impact em cada risco e tirando a média dos 5% piores totais. No app, a tabela de contribuição para a variância, em Results, ordena as entradas pela parte da dispersão total que cada uma explica e coloca em primeiro lugar a entrada Occurs de “Falha de fornecedor-chave” (no app, “Key supplier fails”; ou seja, se esse risco acontece), com 19,6%; veja análise de sensibilidade. Dispersão e piores resultados são perguntas diferentes. Para uma reserva ou um limite de seguro, olhe os piores resultados: o painel dos piores resultados do app compara cada entrada nos 5%, 10% ou 25% piores das iterações com todas as iterações, e Trial by trial traça qualquer entrada, como o impacto de um risco, contra o total.

Experimente

  1. Abra o modelo no xellstorm. As células Occurs e Impact de cada risco já são entradas, o total em H13 é a saída e perder mais que 1.000 é a meta; não precisa instalar nada nem se cadastrar, e a planilha é calculada no navegador.
  2. Rode o modelo: com a mesma semente e 10.000 iterações, aparecem os números desta página. Results mostra a média, a chance de perder mais que 1.000, o P90 e a média dos 5% piores (CVaR); P80 e P95 são linhas da tabela de percentis.
  3. Digite um limite seu na caixa de probabilidade para ver com que frequência as perdas o superam, ou passe o mouse sobre a curva S para ler a chance de ficar abaixo de qualquer valor.
  4. Na etapa Distributions, adicione um cenário que reduza a probabilidade de “Incidente cibernético” (no app, “Cyber incident”), rode de novo e compare os cenários com os mesmos sorteios aleatórios.
  5. Depois, abra o seu próprio registro: transforme a ocorrência de cada risco em uma entrada de Bernoulli e o impacto em uma PERT, e digite referências como =B2 para ler os parâmetros das células do registro.

Dá para fazer só com o Excel?

Dá: a mesma simulação sai só com o Excel, com RAND() e uma tabela de dados; Simulação de Monte Carlo no Excel mostra as fórmulas para eventos de risco e impactos PERT.

Perguntas

O que é o valor monetário esperado (EMV) em um registro de riscos?

O valor monetário esperado é a probabilidade de cada risco multiplicada pelo impacto, somada em todo o registro. Calculado com o impacto médio de cada risco, é igual à perda esperada, que a média da simulação estima (valor exato 358,7, simulado 358,8); calculado com o impacto mais provável, como é comum, fica menor (290,5). De qualquer modo, é uma média e não diz até onde as perdas podem chegar.

O que é o CVaR e como ele difere do P95?

O CVaR (valor condicional em risco, também chamado de expected shortfall) é a média dos resultados além de um percentil, aqui os 5% piores. O P95 é onde os 5% piores começam, 1.028 neste registro; o CVaR mostra quão graves eles são em média, 1.436. Dois registros com o mesmo P95 podem ter CVaRs muito diferentes quando um deles contém um risco raro e muito grande.

Por que a perda mediana fica abaixo da média?

A perda mediana do registro (267) fica abaixo da média (359) porque o total é assimétrico à direita: a maioria dos resultados envolve alguns riscos pequenos ou médios, enquanto poucos combinam riscos grandes e puxam a média para cima. Em 5,6% dos resultados nenhum risco ocorre.

Os riscos devem ser correlacionados?

Os riscos de um registro costumam ser tratados como independentes, como neste exemplo. Se alguns tendem a acontecer juntos, como a falha de um fornecedor e o estouro de um projeto, dê às entradas Occurs deles uma correlação de postos no xellstorm: cada risco mantém a própria probabilidade e o próprio impacto, mas totais grandes ficam mais prováveis, o que tende a elevar o P95 e o CVaR.

Como testar uma mitigação, como um controle que torna um risco menos provável?

No xellstorm, teste uma mitigação como um cenário: na etapa Distributions, adicione um que altere a probabilidade ou a faixa de impacto do risco e rode de novo. Os cenários usam os mesmos sorteios aleatórios do caso-base; por isso, as diferenças na média, no P90 e na chance de superar a meta vêm da mudança, e não de sorteios diferentes, e bastam bem menos iterações para vê-las.

Veja também

O xellstorm é uma ferramenta de simulação de Monte Carlo para modelos do Excel, que roda no navegador: sem suplemento, e o arquivo nunca sai do seu computador.